A SAÚDE MENTAL DE ATLETAS DE ALTA PERFORMANCE

A SAÚDE MENTAL DE ATLETAS DE ALTA PERFORMANCE

A SAÚDE MENTAL DE ATLETAS DE ALTA PERFORMANCE



Um dos assuntos mais comentados nos Jogos Olímpicos de Tóquio foi a decisão da ginasta norte-americana Simone Biles de não disputar várias finais nas quais ela era tida como favorita. Ela afirmou que tomou essa decisão para cuidar da sua saúde mental. Eu sou o André, virei fã de competições de skate nesses Jogos Olímpicos e hoje quero falar sobre um assunto que, embora tenha recebido mais atenção nos últimos 5 anos, ainda é um tabu no meio esportivo: a saúde mental de atletas de alta

performance. Se você gostou do assunto que estamos abordando hoje, mostre isso para a gente clicando no joinha, comentando aqui embaixo a sua opinião, inscrevendo-se no canal e siga a gente nas redes sociais também! Atletas de elite, de alta performance ou de alto rendimento são aqueles que praticam algum esporte no nível mais elevado de competitivade. Diferente de quem pratica um esporte só pelo prazer ou pela saúde, a ênfase do atleta de elite tende a ser ganhar competições. Para t er alguma

chance de ganhar uma medalha de ouro em uma competição como os Jogos Olímpicos, por exemplo, onde estarão presentes os melhores do mundo em cada esporte, um atleta de elite precisa tomar vários cuidados ao longo da sua preparação. Um dos principais cuidados é seguir uma rotina intensa de treinamento que causará um considerável desgaste físico e psicológico. Essa rotina visa principalmente aprimorar a técnica e o condicionamento físico do atleta para prevernir erros e lesõ es que poderiam tirá-lo

do pódio. Ao final de uma competição, apenas uma minoria dos atletas conseguirá alguma premiação. Isso significa que a maioria dos atletas participando de um evento se sentem frustrados depois de passar meses ou anos se preparando para um momento que pode se definir em alguns minutos. Além disso, mesmo os atletas que vencem nessas competições também precisam enfrentar uma enorme pressão psicológica antes, durante e depois do evento, o que nem sempre é um proce sso simples de lidar como nos

mostrou o nadador Michael Phelps. Ele é de longe o maior medalhista da história dos Jogos Olímpicos, totalizando 28 medalhas, sendo 23 de ouro, isso sem falar nos 39 recordes mundiais que ele estabeleceu. Michael Phelps se tornou sinônimo de excelência e sucesso no esporte. Só que, em 2016, Phelps falou pela primeira vez publicamente sobre sua depressão e os problemas trazidos por ela ao longo dos anos. Ele também admitiu que teve ideação suicida a o final dos Jogos Olímpicos do Rio em

2016, competição na qual conquistou 5 medalhas de ouro logo antes de se aposentar. Infelizmente, a situação de Michael Phelps não é uma exceção. De acordo com algumas pesquisas, cerca de metade dos atletas de alta performance exibem dificuldades ligadas à saúde mental em algum momento da carreira. As dificuldades mais comuns estão ligadas a sintomas depressivos, de ansiedade, de estresse e ao uso de substâncias. Entre mulheres que prati cam modalidades nas quais se esperam corpos muito magros, os

transtornos alimentares são comuns. Vale ressaltar que não é porque uma ginasta é muito magra, por exemplo, que ela tem algum transtorno alimentar. Esse tipo de condição deve ser averiguado por um profissional, e não apenas a partir da aparência física de alguém. Apesar dessas estatísticas já demonstrarem um cenário não muito bom, é provável que os dados sobre a saúde mental de atletas estejam subestimados, ou seja, que eles não estejam revelando a verdadeira gravidade da situação. Se falar

abertamente sobre dificuldades psicológicas já é algo estigmatizado na nossa sociedade como um todo, falar sobre isso no meio esportivo é ainda mais. Continua bem difundida no meio esportivo a crença de que atletas de alta performance precisam ser extremamente fortes, confiantes, perseverantes e focados, não se deixando abalar facilmente. Convenhamos que não dá para sustentar essa visão idealizada o tempo todo, j á que altos e baixos farão parte da carreira de qualquer atleta. Por conta de visões

como essa, é natural que um atleta tenha medo de demonstrar qualquer sinal de "fraqueza", já que isso poderia prejudicar a sua reputação, afastá-lo do esporte, colocá-lo no banco de reservas ou diminuir o interesse de patrocinadores. Só que mantendo em silêncio as suas dificuldades, muitos atletas acabam agravando os seus problemas. O estigma em torno da saúde mental no meio esportivo acaba desestimul ando vários atletas a procurarem ajuda profissional. Muitos sentem o impulso de tentar lidar com

as suas dificuldades sozinhos, não surpreendentemente, falham nisso, o que gera ainda mais sofrimento. Conforme o tempo vai passando, a bola de neve tende a ficar cada vez maior. Apesar dessa visão de que atletas de elite bem-sucedidos possuem "mentes blindadas", estudos indicam que eles apresentam problemas ligados à saúde mental em proporções parecidas com a população geral. Ou seja, ele s são gente como a gente, embora esses dados também sejam subestimados. No nosso vídeo sobre atividades

físicas, falamos que a prática regular delas pode beneficiar a saúde física e mental, então como é que aqueles que mais praticam atividades físicas não possuem uma saúde mental muito diferente da população geral? De fato, praticar atividades físicas regulares tende a ser benéfico para a saúde física e mental, mas só até um certo ponto. Exercitar-se demais e com regularidade pod e inclusive levar alguém à desenvolver a síndrome do sobretreinamento. Essa condição é bem mais comum em atletas e pode

envolver diversos sintomas, tais como cansaço, tristeza, irritabilidade, insônia e desmotivação. Tudo isso acaba diminuindo muito a performance da pessoa até mesmo por vários meses. Para alcançar os níveis mais elevados de performance, atletas precisam frequentemente superar os seus limites físicos, psicológicos e treinar diariamente por muitas horas; e até certo po nto, isso pode ser motivador e saudável para eles. Alguns problemas podem surgir quando um atleta desenvolve um nível muito elevado

de perfeccionismo quanto à sua performance. Nesse caso, as expectativas irrealistas dele podem ironicamente reduzir o seu desempenho ao invés de ajudá-lo a se aperfeiçoar. Além disso tudo, tivemos recentemente mais um agravante para a saúde mental dos atletas que participaram dos Jogos Olímpicos de Tóquio: a pandemia. Por causa dela, os jogos que deveria m ocorrer em 2020 foram adiados e isso gerou uma série de repercussões para os atletas a depender do país em que viviam, das suas

modalidades esportivas e condições financeiras. Uma pesquisa foi conduzida com atletas de alta performance de diferentes continentes um pouco depois do início da pandemia. Os cientistas identificaram que, embora os níveis de sintomas depressivos, de ansiedade e de estresse fossem baixos de maneira geral, essa situação era diferente quando o a tleta era excessivamente perfeccionista. Nesse caso, os atletas tendiam a exibir todos os sintomas em níveis mais elevados. Também ficou claro que os

atletas de modalidades individuais apresentaram sintomas mais intensos do que os de modalidades em equipe. Jogando com um grupo, a responsabilidade pelo resultado final se dilui entre os membros; já jogando sozinha, é mais fácil a pessoa concluir que a culpa é toda dela. Podemos ver que a importância da saúde mental ainda é pouco enfatizada nesse meio considerando que a maior parte dos atletas de elite recebem um acompanhamento rigoroso de médicos, nutricionistas e educadores fisícos, mas não de

psicólogos ou psiquiatras. Apesar disso, tudo indica que as coisas estão mudando para melhor. Algo que ilustra isso foi o fato de que, nos Jogos Olímpicos de Tokyo que acabaram de acontecer, diversos profissionais da saúde mental fizeram parte das delegações dos Estados Unidos e da Inglaterra. Outro avanço foi que, pel a primeira vez, o Comitê Olímpico Internacional distribuiu orientações entre atletas e técnicos para ajudá-los a monitorar e a gerenciar a saúde mental. Aqui vão agora algumas

dicas para atletas. Dica número 1: se você é um atleta de alta performance e está vivendo dificuldades, procure ajuda profissional. A cultura do atleta implacável talvez faça você pensar que precisa ser imune a qualquer dificuldade psicológica, mas a realidade não é bem assim. Um profissional competente da psicologia pode te ajudar não só a se sentir melhor como pode contribuir para a melhora da sua performance esportiva. Uma mente mais realista e saudável será uma grande aliada na carreira de

qualquer atleta e facilitará as coisas na hora de se aposentar. Dica número 2: avalie se o ambiente no qual você pratica o seu esporte faz bem para a sua cabeça. Onde existe convivência entre seres humanos, normalmente existe treta também, então se certifique de que está bem acompanhado durante suas práticas esportivas. Um treinador que acha que você tem que vencer a qualquer custo, por exemplo, pode te prejudicar bastante, assim como conviver com outros atletas que te diminuem, criticam

excessivamente ou agridem de alguma forma. Para que a saúde mental de atletas de alta performance seja protegida, é preciso mudar a cultura do meio esportivo. É hora de atletas admitirem suas vulnerabilidades, como Michael Phelps, Simone Biles e alguns outros fizeram com tanta corage m. É necessário que as organizações esportivas valorizarem mais o ser humano por detrás do atleta através de ações concretas, como incentivando ou garantindo um acompanhamento psicológico não só durante grandes

competições, mas antes delas e depois também. Organizações e técnicos também podem promover um ambiente mais saudável para os atletas garantindo que eles possam explorar os seus potenciais sem serem pressionados a ganhar a qualquer custo e prevenindo situações como assédi o e bullying quando estiverem treinando. No caso do Brasil e de outros países, é fundamental que os atletas tenham um suporte financeiro melhor também. Um estudo conduzido antes da pandemia indicou que, entre atletas de elite de

48 países diferentes, mais da metade viviam uma instabilidade financeira considerável, o que deve ter piorado com a pandemia. Dentre os 309 atletas brasileiros que foram competir em Tóquio, vários recebem menos de um salário mínimo na forma de bolsa e 33 preci sam ter outros empregos para se sustentar. E essa é a situação de alguns dos melhores atletas brasileiros, imagine a dos outros. Com melhores condições financeiras, com certeza esses atletas vão ter uma melhora na saúde mental, na

performance e vão atrair mais brasileiros para os esportes. Muito obrigado a todos vocês que são apoiadores ou apoiadoras oficiais do Minutos Psíquicos. Vocês incentivam muito a gente a fazer vídeos como o de hoje, e se você gosta do nosso trabalho aqui no YouTube, mas ainda não é um apoiador oficial, clique em "SEJA MEMBRO" aqui embaixo para descobrir quais são os benefícios exclusivos que a gente oferece em troca do seu apoio. Hoje exploramos a saúde mental de atletas de alta

performance. Comentamos sobre algumas das dificuldades psicológicas mais comuns, as expectativas que existem a respeito de atletas e algumas consequências estimuladas em parte por essas expectativas. Também falamos no final sobre o que atletas, técnicos, organizações e governos podem fazer para promover a saúde mental de atletas. Se você gostou do vídeo de hoje, clica no joinha que vai ajudar muito a gente, inscreva-se no canal e clique no sininho. Eu recomendo você assistir agora o vídeo que a

gente fez sobre os Jogos Olímpicos ou o sobre atividades físicas. Português

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